Última atualização: 14/07/2025 às 12:47:00
A Justiça Federal no Ceará (JFCE) prestou, nesta sexta-feira, 11 de julho, uma emocionante homenagem ao juiz federal Agapito Machado, reconhecido como o magistrado de primeiro grau mais antigo em atividade na magistratura federal brasileira até sua recente aposentadoria. O evento reuniu autoridades, colegas de trabalho, amigos, familiares e alunos em uma celebração marcada por memórias, gratidão e reconhecimento.
A homenagem foi uma realização do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), da Escola de Magistratura Federal da 5ª Região (Esmafe), do Gabinete da Revista do TRF5, da Direção do Foro da JFCE e da Esmafe – Núcleo Ceará. Também contou com o apoio institucional da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Rejufe).
Uma trajetória que se confunde com a da própria Justiça Federal
Durante a abertura da solenidade, o presidente do TRF5, desembargador federal Roberto Machado, compartilhou um depoimento pessoal comovente, lembrando que foi o próprio Agapito quem o incentivou a prestar concurso para a magistratura federal. “Agapito sempre foi uma figura preocupada com todos nós, um verdadeiro pai para muitos colegas. Ele abriu caminhos, renunciou à antiguidade em minha posse e sempre colocou os outros em primeiro lugar”, afirmou.
O juiz federal Júlio Coelho, diretor do foro da JFCE, destacou que a vida profissional de Agapito Machado se entrelaça com a própria história da Justiça Federal no Ceará: “Celebramos uma trajetória que é praticamente a trajetória da nossa instituição. Agapito recusou quase dez vezes a promoção para o TRF, reafirmando seu compromisso com o atendimento direto à população. Sua escolha por permanecer na jurisdição de instrução é uma lição de coragem e vocação”, destacou o magistrado.
O juiz, o professor e o cidadão
Em sua fala, o desembargador federal Cid Marconi resgatou momentos marcantes da trajetória de Agapito, desde sua aprovação no concurso de juiz de direito do Estado do Ceará — cargo que recusou para permanecer junto da família — até sua atuação firme e independente no exercício da magistratura federal: “Ao longo de mais de três décadas, o juiz Agapito Machado julgou com coragem, enfrentou pressões e defendeu o devido processo legal com integridade. Foi um juiz no sentido mais amplo da palavra, que sempre julgou com a lei e não a lei”.
A atuação no Juizado Especial Federal (JEF), onde permaneceu por 20 anos, também foi lembrada como símbolo de sua dedicação à população mais vulnerável. No exercício da jurisdição e da docência na Unifor, Agapito uniu duas paixões: a magistratura e o ensino. “Transformava a sala de audiência em sala de aula, ensinando a prática forense aos alunos com generosidade e sabedoria”, relatou o desembargador.
Cinco lições de uma vida pública
Em tom afetivo e reflexivo, o corregedor-regional da 5ª Região, desembargador Leonardo Resende, destacou cinco lições deixadas por Agapito Machado: firmeza na defesa dos direitos, voz ativa, desprendimento, simplicidade e amor à família e à sua terra. Ele lembrou sua opção por sonhar com os próprios sonhos, sem ceder à pressão de ascensão hierárquica: “Agapito demonstrou-se um sábio. Há virtude em sonhar os próprios sonhos. E feliz é aquele que, como ele, sabe que é feliz no agora”.
Uma revista e uma memória
Durante a cerimônia, foi lançada a Revista Comemorativa – Edição nº 174, inteiramente dedicada à trajetória do magistrado. O desembargador Edilson Nobre, editor responsável, destacou que a publicação traz artigos doutrinários e julgados emblemáticos que ilustram a atuação firme e ética de Agapito, “um juiz com J maiúsculo e um professor com P maiúsculo”.
O homem por trás da toga
Em momento de grande emoção, os filhos Agapito Machado Júnior, Cristiane Machado e Kátia Machado prestaram uma homenagem pessoal ao pai, ressaltando o homem por trás da toga: o pai afetuoso, o avô dedicado e o ser humano sensível, de convicções firmes e ética inabalável.
A fala do homenageado
Encerrando a cerimônia, Agapito Machado agradeceu com humildade e bom humor a todos os presentes, fez questão de nomear colegas, servidores e amigos com quem compartilhou sua jornada, e reafirmou os princípios que sempre nortearam sua conduta: “Sempre botei na cabeça que não era juiz, mas que estava juiz. Tudo na vida tem início, meio e fim. Hoje sou eu, amanhã serão vocês. O que fica é como tratamos as pessoas”.
Agapito também falou de suas razões para ter recusado promoções: o amor à família, à docência, aos servidores, o medo de avião e a certeza de que sua utilidade estava onde mais podia servir à população.
Inspiração
A solenidade contou também com a participação virtual da desembargadora federal Gisele Sampaio, que prestou um emocionante depoimento pessoal sobre sua convivência com o homenageado. Ela relembrou os tempos em que foi aluna de Agapito na Unifor, estagiária da 4ª Vara e, mais tarde, colega na magistratura. Em suas palavras, destacou o papel inspirador de Agapito Machado para toda uma geração de operadores do direito: “Falar de Dr. Agapito Machado é falar de um dos grandes referenciais de uma geração inteira, de estudantes, servidores, magistrados e cidadãos que pavimentaram sua vida com base em sua ética, coragem e independência. Muito obrigada, Decano, e parabéns por uma história tão bonita que você deixa de legado a todos nós”.
Reconhecimento
Ao final, foi entregue ao homenageado pelas mãos do presidente do TRF5, Roberto Machado, do desembargador Cid Marconi e do juiz federal Júlio Coelho um certificado de reconhecimento, uma placa comemorativa e um quadro com arte do busto do juiz Agapito (arte do juiz federal Júlio Coelho).